Notas prévias:
1) Um comentário a um post anterior, em que se ataca o presidente, levou-me a escrever este post;
2) Devo frisar que o texto abaixo não pretende desvalorizar o anterior Vice-Presidente Fernando Tavares;
3) Comecei a ouvir falar das modalidades, e da sua gestão, desde muito cedo. A minha educação benfiquista inclui o ecletismo enquanto característica, que se deseja imutável, do clube.
O Sport Lisboa e Benfica tem, como no futebol, uma grande história nas restantes modalidades.
Cingindo-me aos tempos mais recentes, dos mandatos do João Santos, Jorge de Brito e Manuel Damásio, registo a grande aposta efectuada ao longo desses anos que resultou em muitos títulos, nomeadamente, no Basquetebol e Hóquei em Patins, mas também no Andebol, Voleibol e até Atletismo. Como aspecto muito negativo, a partir de certa altura do mandato de Jorge de Brito, chegaram a haver 7 meses de ordenados em atraso, que só foram recuperados durante o mandato de Manuel Damásio.
Depois do Damásio, veio o Vale... Navegação à vista, ordenados em atraso constantes, problemas com finanças, problemas nas deslocações devido a falta de pagamentos de hotéis, restaurantes, etc., e degradação da competitividade desportiva das modalidades em geral (exemplo maior a destruição do Andebol). Ressalve-se o trabalho do Vice-Presidente, José Manuel Antunes, que foi resolvendo, conforme pôde, muitos dos problemas das modalidades. Sem ele, teria sido o caos completo.
Felizmente, o Vilarinho (já agora, com o Luís Filipe Vieira) ganhou as eleições e, à semelhança de outras áreas do clube, resolveu os problemas financeiros herdados do mandato anterior. Sendo um Presidente, para quem o Benfica é (ou deveria ser) somente um clube de futebol, as modalidades foram apenas toleradas e foram sobrevivendo com dificuldade. Na célebre Assembleia Geral do Casal Vistoso, as teses da Direcção foram derrotadas pois, os sócios, por maioria esmagadora, consagraram os 10% de quotização destinados às modalidades e confirmaram a sua importância na vida do Benfica tendo, inclusivé, através de uma porposta extraordinária, criado a quota das modalidades possibilitando que os sócios, caso o queiram, paguem 5€ extra para que sejam inteiramente integrados no orçamento das modalidades.
De notar que, no mandato do Vilarinho, o Vice para as modalidades chamava-se José Santos, filho do Vítor Santos, e inteiramente conivente com as ideias do Vilarinho para o clube.
Mas, nesse tempo, havia um ponta-de-lança das modalidades nos destinos do clube, de seu nome Luís Filipe Vieira, através de três entusiastas do basquetebol, entre os quais figurava o Fernando Tavares.
O Fernando Tavares, homem de confiança de LFV para as Modalidades, teve a seu favor o que há muitos anos não existia no Benfica. Apoio da Direcção, instalações modelares e um orçamento global elevado (baseado na quotização, exploração das piscinas, quota das modalidades, patrocínios do complexo desportivo, etc.), o que lhe permitiu, conjugado com o seu dinamismo e capacidade de organização, começar paulatinamente a trazer as modalidades para patamares desportivos consentâneos com a grandeza do Benfica. Os títulos começaram a aparecer e o Benfica passou a ser competitivo em todas as modalidades colectivas, consideradas de Alta Competição.
Não se pode também esquecer, as apostas em grandes figuras como Nelson Évora, Vanessa Fernandes e Telma Monteiro.
A partir de certa altura, começaram os problemas orçamentais, que tiveram a ver, principalmente, com a inclusão do Futsal a 100% no SLB e algum descontrole salarial em algumas modalidades, fruto da vontade de ganhar, mas que levou a que, sendo o bolo global sensivelmente o mesmo, começassem a surgir problemas pontuais, em termos salariais e orçamentos muito desproporcionados entre as modalidades principais.
A descida do Basquetebol à Proliga, tendo como pretexto o castigo do António Tavares, surgiu como solução ideal, porque não existia orçamento que permitisse ter uma equipa competitiva.
Na época em curso, já os treinos tinham começado e as equipas de Voleibol e Basquetebol ainda não estavam constituídas, porque o orçamento disponível não o permitia. A título de exemplo, o basquetebol disputou o torneio de Viseu no fim de Setembro, sem Ben Reed, Seth Doliboa, Diogo Carreira e João Santos, que ainda não eram jogadores do Benfica.
Esta derrapagem financeira e divergências que entretanto terão surgido e das quais apenas os envolvidos poderão falar, levaram ao isolamento de Fernando tavares na Direcção e, posteriormente, à sua demissão. Aquilo que se especula, pois nunca foi assumido, é que terá pedido reforço orçamental e lhe terá sido negado devido às promessas de ordenados lunáticos no Futsal, ao que se tinha passado no Voleibol e aos contratos "vitalícios" no Hóquei em Patins. Diz-se que prometeu contratos muito elevados a jogadores de Futsal e que o Presidente se recusou a assinar porque ultrapassavam, e muito, o orçamento já se si muito elevado e precisava de dinheiro para poder aumentar o orçamento de Basquetebol.
Em resumo, a gestão Fernando Tavares acabou por cair numa situação em que as despesas eram muito superiores às receitas e havia a convicção que, à última hora, o LFV dava o dinheiro que faltava, como aconteceu em anos anteriores, com consequências negativas para as contas do Clube.
Qual foi a causa porque o Presidente, desta vez, não tapou o buraco, entra no campo das tais divergências que terão surgido entre eles e que ninguém sabe quais são.
Com a demissão do Fernando Tavares, o LFV assumiu esta pasta. Renegociou contratos, aumentou o orçamento do Basquetebol de maneira a poder contratar os jogadores que estavam previstos e acudiu ao Voleibol, de maneira a tentar que a equipa fosse mais competitiva, mas assumindo, desde logo, que, nas actuais circunstâncias, o objectivo não passava pela conquista de títulos. Neste momento, tudo leva a crer que a equipa termine o campeonato em 3º lugar.
Reúne mensalmente com as Secções (dirigentes e treinadores) e está em permanente contacto com o director-geral das modalidades, o Carlos Lisboa, acompanhando e resolvendo os problemas do dia a dia.
Não esquecendo o importante pormenor dos ordenados em dia, nem sempre comum a todas as Direcções do Clube, segundo já é público, garantiu patrocínios para os próximos anos, acabando com a eterna incerteza que se deparava às modalidades, que, muitas vezes com a época a começar, ainda não sabiam qual o orçamento para essa mesma época.
À data de hoje, já muitos dos principais jogadores das nossas equipas, renovaram ou estão em negociações para renovar os seus contratos para as próximas épocas, garantindo que, nos próximos anos, continuaremos a ser competitivos. Isto, se não aparecer um Presidente que ache que o Benfica é só Futebol... Poderia ainda escrever sobre o protocolo com a Câmara Municipal de Oeiras que garantirá sustentabilidade a uma modalidade historicamente ostracizada no Benfica como o Raguebi ou poderia também evocar o caso do Judo, entre vários outros.
Em resumo, orçamentos definidos, compromissos financeiros cumpridos e equipas para o futuro praticamente constituídas. Do meu ponto de vista, o que é mesmo importante, é que as modalidades têm sido apoiadas como não eram há muito tempo e, com ou sem Fernando Tavares, o Presidente foi sempre o mesmo.